Senhor Vladimir Putin, Presidente da Federação da Rússia,

Senhor Narendra Modi, Primeiro-Ministro da República da Índia,

Senhor Xi Jinping, Presidente da República Popular da China,

Senhor Cyril Ramaphosa, Presidente da República da África do Sul.

Senhoras e senhores ministros aqui presentes,

 

É uma grande honra recebê-los em Brasília, neste início da nossa segunda década da cooperação entre os países do BRICS.

 

Senhores líderes,

Há dez anos, em meio a uma das mais graves crises financeiras da História, tornou-se evidente a importância das economias emergentes para a estabilidade e a vitalidade da economia mundial.

Hoje, a relevância econômica do BRICS é ainda mais inquestionável e seguirá crescendo nas próximas décadas. À sua pujança no plano econômico, juntam-se a diversidade, a criatividade e o vigor de nossas sociedades e de nossos povos. Esses valiosos ativos, tangíveis e intangíveis, constituem a matéria-prima para uma proveitosa cooperação entre nossos países. Além disso, nos garantem legitimidade para demandarmos uma governança internacional mais inclusiva.

 

Senhores chefes de Estado e de governo,

A política externa de meu governo tem os olhos postos no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil, para estar em sintonia com as necessidades de nossa sociedade. Reconhece como parte de suas obrigações ajudar a ampliar o bem-estar de nossos cidadãos, sob a forma de avanços em ciência, tecnologia e inovação, de mais e melhores empregos, de mais renda, de um melhor sistema de saúde pública e tudo mais que faça a diferença para melhor no cotidiano de todos.

É por isso que a presidência brasileira do BRICS priorizou a obtenção de resultados concretos em favor de nossos povos. Esse caminho ajudará nosso grupo a contar com respaldo popular cada vez mais sólido e a fortalecer-se.

 

O Brasil se orgulha de ter conduzido uma presidência que valorizou a cooperação intra-BRICS.

Foram mais de cem reuniões ao longo do ano, nos mais diversos níveis e setores. Estamos nos encontrando pela segunda vez, e nossos ministros mantiveram dezesseis reuniões, nas áreas de relações exteriores; finanças; saúde; comunicações; meio ambiente; energia; trabalho e emprego; ciência, tecnologia e inovação; agricultura; cultura; segurança nacional; e comércio.

Essas reuniões resultaram em maior conhecimento recíproco, na identificação de oportunidades de cooperação e em importante intercâmbio de experiências. Sobretudo, demonstraram a vitalidade e o potencial da colaboração entre nossos governos e sociedades.

Guiados pelo lema de nossa presidência, “crescimento econômico para um futuro inovador”, demos ênfase à inovação, essencial para fomentar a produtividade e a competitividade de nossas economias, condições necessárias para o desenvolvimento e o bem-estar de nossos povos.

A ideia de um “futuro inovador” reflete não apenas um horizonte temporal, mas uma missão que meu governo abraça com convicção e afinco. Daí que tenhamos, por exemplo, orientado a tradicional reunião de jovens cientistas do BRICS para uma discussão sobre inovação e juventude.

Em nossa presidência, buscamos criar os meios práticos para que nossa cooperação ajude a assegurar a nossas economias a permanente atualização tecnológica exigida pela economia digital. Assim devem ser entendidas a Rede de Inovação, o Instituto de Redes Futuras e a Parceria do BRICS para a Nova Revolução Industrial. Por meio dessas instâncias, nossos países podem aumentar a pesquisa científica, estimular a produção de bens e serviços inovadores e melhor capacitar profissionais.

Também no comércio internacional, adotamos uma perspectiva realista e pragmática. Celebramos um Memorando de Entendimento entre nossas agências de promoção do comércio e dos investimentos, que auxiliará a cada um de nossos países a aprender com as melhores práticas dos demais membros do BRICS.

Na área da segurança, a presidência brasileira concentrou a atenção no combate ao terrorismo e na luta contra a corrupção. Disso são exemplos o Seminário em Estratégias de Contraterrorismo, a ativação dos cinco subgrupos do Grupo de Trabalho sobre Contraterrorismo, e a Reunião sobre Recuperação de Ativos. Trata-se de instrumentos relevantes e promissores de ainda maior colaboração em temas de grande interesse de nossas sociedades.

No campo da saúde, demonstramos nosso firme propósito de colocar o BRICS a serviço de necessidades muito práticas e importantes de nossos povos. Bem o demonstra nosso foco na promoção do aleitamento humano e no combate à tuberculose. Realizamos encontro sobre bancos de leite humano, e foram aprovadas novas rodadas de pesquisa na área da tuberculose, iniciativas que salvarão vidas e tornarão mais barato o acesso a medicamentos.

Em matéria de energia, criamos a Plataforma de Pesquisa Energética, que nos permitirá discutir as oportunidades oferecidas pelos processos de transições energéticas por que passam nossos países.

Avançamos, ainda, nas negociações do Acordo de Assistência Aduaneira Mútua e do Acordo de Constelação de Satélites do BRICS, que esperamos poder concluir em breve.

Podemos legitimamente nos felicitar por esse conjunto de realizações, que servirão aos interesses concretos de nossos povos em diversas áreas.

 

Senhores Presidentes, Senhor Primeiro-Ministro,

Nossa cooperação prosperou também fora do âmbito do Poder Executivo, sempre com vistas a proporcionar benefícios para nossas sociedades. O Fórum de Parlamentares do BRICS debateu o papel de nossos parlamentos na promoção da saúde pública. Nossas altas cortes reuniram-se para discutir o uso de novas tecnologias para agilizar a tramitação de processos nos judiciários.

Em paralelo, a presidência brasileira apoiou os esforços para aumentar o conhecimento mútuo, a amizade e a cooperação entre nossos povos, por meio de intercâmbios interpessoais. O contato direto entre nossas sociedades aproxima a política externa do povo. Diversas iniciativas capitaneadas pela sociedade foram realizadas ao longo da nossa presidência, nas áreas cultural, esportiva, acadêmica e empresarial.

Quero mais uma vez saudar o ativismo e o interesse demonstrado por nossos setores privados, como constatamos no Fórum Empresarial realizado ontem aqui em Brasília.

Não poderia deixar de registrar os ganhos, na forma de geração de emprego e renda e de infraestrutura sustentável, decorrentes da crescente atuação do Novo Banco de Desenvolvimento. O Brasil espera que a próxima entrada em operação do Escritório Regional do NDB para as Américas, com sede em São Paulo, ajude a incrementar a carteira de financiamentos no País.

 

Caros colegas,

A presidência brasileira de turno, com o apoio permanente e indispensável de seus governos, logrou avançar nossa colaboração em temas de especial interesse para nossas sociedades.

Passaremos à presidência de turno da Federação da Rússia um BRICS fortalecido pelos resultados concretos de nossa cooperação e pelos benefícios que essas iniciativas trazem para as populações de nossos países. 

Antes de encerrar, formulo ao Presidente Vladimir Putin meus votos de sucesso na presidência do BRICS em 2020. A Rússia poderá contar com todo o empenho e colaboração do Brasil na condução desse importante mecanismo de cooperação.

Muito obrigado.